segunda-feira, 21 de setembro de 2009

capicua

Eu calo as palavras, poupo o vocabulário, é que

Pró meu silêncio ainda não há um dicionário

E eu não falo sem pensar e não quero pensar demais

Não espero interpretações ou traduções emocionais.

Como todas as mulheres quero sentir que sou diferente

Sou todo o cliché da vida toda pela frente,

Sou carente q.b. como um domingo persistente em que

Não sei porquê a gente tem olhar ausente.

Amiga como tu tenho medo da rejeição

Chorei deitada no chão, achei que era em vão e não

Havia solução a ferida ficaria aberta,

É certo que te marca mas não mata só desperta.

Também sou insegura ponho a lupa nos defeitos,

Tenho a fúria do espelho, muitas dúvidas no peito…

Ás vezes não me valorizo, não grito quando é preciso,

Não tenho juízo e vivo em função doutro indivíduo

Como tu não sou perfeita mas esse é o nosso carisma

E quem cisma e não respeita não consegue ver um cisne.

A beleza não se finge é aquilo que tu emanas, mana

Como uma esfinge fica sólida a uma deusa humana.

Somos assim cheias de contradições como as tradições sem fim que nos atiram p’ra depois.

Vestem-nos de cor de rosa p’ra enfeitar um mundo que é cinzento,

Querem-te vistosa mas cagam em como estás por dentro

E não tens tempo p’ra te amares a ti

Tens de ser loira, boa, magra, sensual e com Q.I.

Claro que assim manter uma auto-estima dá muito trabalho.

Não sou a super-mulher e mando o mundo p’o caralho!

Carta fora do baralho mas serei dama de copas,

Serei rainha como tu um dia, topas?

E quando fraquejares vais repetir num sussurro

Aquilo que eu canto p’ra sorrir um dia escuro.

Eu cheiro a alfazema, eu sou poema

Eu sou aquela que tu querias ao teu lado no cinema.

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